Ai daquele que deixar que alguém lhe ponha um chip na cabeça
Sintetizando, acho que esta foi a ideia geral que me ficou da leitura de ficção científica na primeira adolescência. Só mais tarde vim a perceber o quão interessante, importante, desastroso e absolutamente relativo é chiparmos alguém e sermos chipados, à confiança e sem medos, para o bem e para o mal, seja lá o que isso fôr, com o risco acrescido de demissão no final, não é preciso sermos deputados na Assembleia da Républica.
Com o tempo, os bons selvagens que passavam o tempo a fugir dos trípodes e dos chips, transformaram-se em personagens a preto e branco, bidimensionais, sem força, e mais tarde os miúdos que interiorizaram os bons selvagens e ficaram adultos, em puristas paranóicos e em pessoas com quem é impossível falar, que passam a vida a apontar e a controlar os erros da sensibilidade dos outros, como se houvesse um perigo real e quotidiano de lavagem cerebral que se combate com um policiamento sinistro para não haver contágios e envenenamentos intelectuais.
Isto para explicar o meu fraquinho pelos miúdos que imitam robôs.
Os robots são pouco sofisticados e nada intelectuais, cumprindo tendenciamente o papel de escravos e desde pequena que sonho com o dia em que poderei trazer um para casa.
Os robôs agem por sequência e repetição, têm uma fluidez (zá-zá-zá) contida como um relógio (chama-se mecanicismo), que me comove.
As leis da robótica são três, e eu normalmente pensava na terceira (que é a mais digna, se bem que um nadinha triste), para me conseguir lembrar das outras duas:
1ª : Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.
2ª : Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, excepto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.
3ª : Um robô deve proteger a sua própria existência, desde que tal protecção não entre em conflito com a Primeira e a Segunda Leis.
Num certo sentido, sou um bocado robô. Pelo menos sou mais robô do que de esquerda, ou católica ou do Sporting.
Aqui, 2 originais a imitarem cópias